O fim do emprego, mudanças na previdência social e seu futuro

05,05,09

 

Por Enio Willian

   A crise financeira mundial vivida pelo mundo hoje está provocando muitas mudanças em vários aspectos no mercado e na sociedade.

   Em termos de mercado, os setores mais afetados pela crise como as instituições financeiras, seguradoras estão sofrendo uma forte regulamentação em decorrência de decisões de alto risco assumido e de gestão fraudulentas em alguns casos. Outros setores como o automobilístico estão recebendo ajudas milionárias do governo em troca de uma reestruturação em sua gestão. O fato é que a forma como as empresas vem gerindo suas atividades e a forma como a sociedade vê o consumo precisam ser mudadas, caso contrário, a situação vivida pode se tornar insustentável no médio e longo prazo.

   Crises provocam mudanças, algumas temporárias e outras permanentes e podem trazer uma nova configuração para o mercado. O fato é que as mudanças ocorrem o tempo todo no mundo, seja em época de crise ou em momentos de abundante crescimento e afeta as empresas, as pessoas assim como todo o ambiente.

   Em termos de sociedade, as pessoas estão enfrentando novamente o desemprego. Mas, o emprego, da forma como ele é visto até hoje, vem sofrendo mudanças desde o final do século passado. Até então, ele foi visto como uma forma de trabalho com carteira assinada entre o empregador (a empresa) e o empregado, onde o trabalhador tinha assegurado todos os seus direitos previstos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Entre esses direitos, pode-se citar o décimo terceiro salário, jornada máxima de até 40 horas semanais, direito a licença maternidade, seguro desemprego dentre vários outros direitos garantidos por lei. Com o advento da globalização que eliminou as barreiras geográficas entre os países, as empresas passaram a competir de forma global, isto é, a competir com outras empresas de outros países. As organizações estão se reestruturando a cada dia no sentido de se tornarem mais enxutas e competitivas. Muitas delas estão terceirizando algumas áreas internas que não agregam valor para seus clientes, eliminando cargos desnecessários, robotizando e informatizando alguns setores produtivos, etc. Tudo isso promove mudanças significativas no ambiente interno e externo das empresas, principalmente no mercado de trabalho e afeta diretamente as pessoas. O vínculo empregatício e as relações de trabalho estão sofrendo alterações. O emprego da forma com tem sido visto está desaparecendo.

   O objetivo deste texto não é abordar as causas do fim do emprego nem tão pouco explicar com propriedade sobre esse assunto específico. Creio existir diversas fontes que tratam desse tema com mais profundidade. O objetivo aqui é alertar dizendo que hoje o trabalhador é o responsável pela gestão da sua própria carreira. Outra mudança refere-se à Previdência Social. Ano após ano o governo altera as regras para um cidadão se aposentar no Brasil. Com a melhora da expectativa de vida da população, as pessoas estão vivendo mais e melhor e o gasto da Previdência vem aumentando anualmente, afinal, uma grande parte da população se aposentava com idade inferior a 60 anos e desfrutava da aposentadoria por muitos anos. As novas alterações vieram no sentido de encurtar o tempo das pessoas de desfrutarem desse benefício. Hoje, para alguém se aposentar, é necessário possuir um período mínimo de contribuição equivalente a 30 anos e ter idade mínima de 60 anos (para as mulheres e 65 anos para os homens). Sempre que a qualidade de vida de uma população melhora, a previdência é afetada e o governo precisa criar mecanismos para que ela não quebre.

   O ambiente vem mudando numa velocidade cada vez mais rápida e de forma imprevisível. O que não significa que o trabalho acabou. Trabalho existe, principalmente os de alta qualificação, mas o emprego sim está desaparecendo do mercado.

   Aqueles que estão esperando se aposentar apenas por meio da previdência pública correm sérios riscos de verem seus rendimentos caírem e seu padrão de vida despencarem no futuro e de demorarem em conquistar esse direito devido à alta burocracia nesse setor.

   Administrar a vida pessoal também é planejar o futuro, principalmente no sentido de criar mecanismos de se manter o mesmo padrão de vida quando já não for mais possível trabalhar. Muitos trabalhadores vivem durante anos com um nível de consumo quando estão na ativa e, de repente, vêem seu padrão de vida caindo ao se aposentarem em razão da queda do valor da aposentadoria ou do congelamento dos benefícios aos aposentados. Digo mais, não se trata de se aposentar e não fazer mais nada na vida. Trata-se de alcançar independência financeira de modo a continuar trabalhando, mas não depender mais dos rendimentos do seu trabalho para continuar sobrevivendo com qualidade de vida. Para isso, existem os planos de previdência privada como uma alternativa de planejar a sua própria aposentadoria e garantir uma vida mais tranqüila no futuro. Outra forma é você mesmo construir sua aposentadoria através de um investimento de longo prazo fazendo com que o dinheiro trabalhe a seu favor ao longo do tempo até formar um patrimônio consistente. Existem várias formas de se fazer isso, mas o mais importante é construir esse montante. Esse montante será considerado suficiente quando os rendimentos gerados por ele forem capazes de te manter no futuro com o padrão de vida na qual deseja hoje.

   Você já pensou nisso alguma vez ? Como você pretende viver seus dias quando chegar a uma idade que não puder mais trabalhar para garantir seu sustento e da sua família ? Como você manterá seu padrão de vida de forma digna quando não conseguir mais um emprego com todos os direitos de que dispõe hoje ? Essa são algumas reflexões que gostaria que você pensasse a partir de agora. Quanto mais cedo você começar a construir seu futuro, melhor será.

   Para terminar esse texto, deixo um pensamento muito interessante que diz: 

Se aproveitares bem o dia de hoje, dependerá menos do de amanhã.

Um forte abraço a todos.


Crise financeira mundial: o que fazer agora ?

27,02,09

 

Como agir e lidar diante do momento atual da crise financeira

 

Por: Enio Willian

 

 

A crise financeira mundial e seus reflexos

 

A crise iniciada nos EUA, no setor imobiliário, se estendeu para a área financeira e se alastrou para o mundo. Com isso, vários países sofrem esse efeito que adquiriu dimensões gigantescas provocando quebras de vários bancos norte americano. O certo é que os países vivem uma grande crise financeira mundial. São os efeitos da globalização. A interdependência entre as economias faz com que crises deixem de ser isoladas e tomem proporções que extrapolam os limites territoriais de um país. Tão certo como as crises afetam outras nações, também afetam os indivíduos. Muitos americanos estão altamente endividados em decorrência desse efeito que já se tornou global.

No Brasil, vários setores já sentem também esses efeitos. O dinheiro ficou mais escasso e, consequentemente, mais caro para as pessoas e empresas.

 

Os reflexos no orçamento familiar

 

Em momentos como esse, é preciso ter muitos cuidados, principalmente porque ainda não sabemos que dimensões ela ainda pode alcançar e quais outras surpresas podem vir. É preciso ter cautela também no orçamento doméstico, nos gastos familiares, ou seja, nas finanças pessoais, pois crises internacionais também afetam as famílias. Estudos mostram que muitas pessoas ainda não têm conhecimento sobre orçamento doméstico, sentem dificuldades para controlar seus gastos. Muitos sequer sabem fazer um simples planejamento financeiro. Os jovens tem sido a maioria. A sedução pelas propagandas e o forte apelo ao consumo exagerado fazem com que muitos adolescentes iniciem a juventude já endividados. Uma das principais causas desse endividamento é o uso inadequado do cartão de crédito e a falta de educação financeira. Quando chegam crises como essas, muitos se vêem perdidos e sem saber o que fazer.

 

 

Lidando com isso

 

Uma boa administração do orçamento doméstico é vital em qualquer tempo, mas em momentos de crises como essa, é recomendável evitar a contração de empréstimos e financiamentos porque os juros são altos. O momento atual é de cautela e de decisões conservadoras. O Brasil possui a maior taxa de juros do mundo, perdendo apenas para a Turquia. O acesso ao crédito está melhorando, mas o dinheiro ainda continua escasso. Conseguir crédito agora é mais complicado e pode comprometer toda a estrutura financeira de uma família inteira. Em casos de necessidade, é preciso se planejar muito bem para não perder o controle financeiro. O consumidor deve pesquisar, dentre as instituições financeiras, aquelas que oferecem a menor taxa de juros. Mas, em qualquer situação, não é recomendável comprometer mais que 30% da renda com financiamentos ou compras parceladas, principalmente aquelas de longo prazo. O aconselhável é comprar aquilo que seja realmente necessário e fazê-lo a vista ou com a menor taxa de juros possível. Para isso, é preciso uma mudança de hábitos, de comportamento, na maneira de lidar com o dinheiro. Enfim, uma reeducação financeira.

Sair das armadilhas do mau uso cartão de crédito não é tão difícil assim. Em primeiro lugar, evite sair com ele porque assim, o impulso por comprar coisas desnecessárias são diminuídos. Se a pessoa vai numa consulta médica, por exemplo, não há necessidade de se carregar um cartão de crédito ou talões de cheques. Isso evita compras sem necessidade e transtornos em situações de perda ou roubos. Depois, evite pagar o valor mínimo da fatura e use esse instrumento apenas em casos considerados urgentes e necessários.

Em segundo lugar, em caso de uso, prefira usá-lo na opção “débito”, onde o valor da compra é debitado na conta bancária do cliente em tempo real. Com isso, evita-se que juros sejam embutidos na operação. Desse modo, a compra só é efetivada se a pessoa já tiver uma pequena poupança disponível em conta.

Para aqueles que possuem dívidas, o correto é procurar quitá-las o mais rápido possível. Em primeiro lugar, é preciso pagar as dívidas que contém juros embutidos tais como as faturas do cartão de crédito e o cheque especial, onde as taxas são altas, dentre outros. Evite contrair outro empréstimo para quitar dívidas de empréstimos efetuados anteriormente. As taxas de juros podem ser maiores do que a da dívida atual. Só é recomendável esse tipo de estratégia quando a taxa de juros do novo empréstimo for menor do que a do empréstimo anterior na qual se pretende eliminar e o número de parcelas devem ser reduzidos.

 

Aproveitando a crise para investir

 

O momento agora é destinar o dinheiro que sobra no final do mês para investimentos e não para ampliar ainda mais o consumo. Se não sobra dinheiro para uma poupança, então algo está errado e precisa ser ajustado. Com juros altos praticados na economia, sobe também os juros de algumas aplicações financeiras de renda fixa. É uma boa alternativa para quem deseja aproveitar os momentos de juros altos na economia. A taxa básica de juros (a SELIC) é usada tanto como referência para os empréstimos e financiamentos como também para a remuneração de algumas aplicações financeiras. Algumas opções são os CDBs, e os títulos do governo considerados de menor risco.

 

Para quem não quer correr riscos

 

Se seu perfil é conservador, daqueles que não estão dispostos a correr muitos riscos, investimentos em renda fixa são ótimas opções. É recomendado destinar, no mínimo, 10% da renda para a formação de uma poupança. Não se pode gastar tudo o que se ganha, pois assim, a pessoa fica sem nenhuma proteção contra imprevistos.

Para aqueles que tem ganho equivalente a R$ 1000,00 por mês por exemplo, uma boa recomendação seria poupar algo em torno de R$ 100,00 mensais. Se os objetivos dessa poupança for para serem usados em períodos inferiores a dois anos, aplicações em Renda Fixa são boas opções de investimento. Para uma aplicação com rendimento líquido de 0,8% ao mês, em dois anos, o montante será igual a R$ 2655,39. Se esse prazo fosse estendido para cinco anos, considerando as mesmas taxas de juros mensais, o valor total seria de R$ 7723,69. Ou seja, R$ 1723,69 seriam ganhos apenas com os juros dessa aplicação.

Para aqueles que conseguem poupar R$ 150,00 mensais, poderiam acumular R$ 11585,53 nos mesmos cinco anos. Nesse caso, os juros seriam responsáveis por R$ 2585,53 do total acumulado. Uma pequena diferença nos valores dos depósitos e o prazo resultam em diferentes saldos. Os mesmos R$ 150,00 aplicados na Caderneta de Poupança, a uma taxa de 0,65% resultaria num montante total de R$ 11035,53 em cinco anos.

O consumo responsável deve ser mantido para a boa manutenção familiar, mas o consumismo precisa ser evitado. Por outro lado, a poupança deve ser estimulada. Muitos ainda não têm o hábito de poupar e outros o fazem esporadicamente. O correto é adquirir esse hábito, e fazê-lo de forma regular, ainda que com pequenas quantias mensais.

 

Aplicações em renda variável

 

Para aqueles que possuem objetivos de longo prazo, o mercado de ações pode ser uma alternativa bastante interessante para se investir. Primeiro, porque a rentabilidade dessa aplicação tende a ser superior as demais, se analisadas no longo prazo e, segundo, porque os preços dos principais papéis negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (a BOVESPA) estão subvalorizados. Ou seja, eles estão muito baratos agora e podem se valorizar muito nos próximos meses ou anos. Mas, podem não apresentar o resultado desejado. Por isso, é necessário muita calma para colher os bons frutos nesse tipo de mercado. Para quem dispõe de pouco recursos, uma opção são os fundos de investimentos que administram essas aplicações para você.

Em 2007, quando a crise financeira mundial não despontava no Brasil, a rentabilidade média de alguns fundos de investimentos em ações alcançou 30% a 40% no ano. As ações da Petrobrás e da Companhia Vale do Rio Doce valorizaram mais de 85% em 2007. Algo incomum. Hoje, com os papéis em forte baixa, os preços têm altas chances de subirem novamente. O rendimento médio para os próximos dois anos tendem a ficar em torno de 25% a 30% considerando o Índice Bovespa. Mas, como se trata de aplicações de renda variável, não é possível se fazer nenhuma afirmação quanto à rentabilidade. Mas, o histórico de rendimentos do IBOVESPA tem mostrado bons resultados para aqueles que resolvem esperar com paciência.

Antes de optar por esse tipo de aplicação, monte uma reserva de emergência suficiente para cobrir as despesas básicas por um período de, no mínimo, seis meses.

 

 

Construindo uma reserva de emergência

 

Antes de sair por aí colocando seu dinheiro em qualquer tipo de aplicação financeira, é recomendável se atentar para algumas observações importantes. Em primeiro lugar, construa primeiro uma reserva de emergência até que ela seja suficiente para manter a pessoa por um período entre três a seis meses. Esse valor deve ficar em lugares considerados seguros como a Caderneta de Poupança por exemplo.

 

O momento atual é de bastante cautela e muito planejamento, mas também é um momento de oportunidades.

 


Banco Central divulga taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras. O que isso tem a ver com você ?

13,02,09

 

Por Enio Willian

 

 

O Banco Central (o BACEN) divulgou nesta semana a relação das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras atuantes no país no período entre 20 a 26 de janeiro de 2009. Nessa relação, é possível conseguir muitos dados tais como as taxas de juros para a aquisição de bens, de veículos ou concessão de créditos, para pessoas físicas e jurídicas, dentre outros.

Analisando as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas, podemos comentar algo a respeito, uma vez que isso afeta diretamente aos cidadãos que recorrem aos bancos e às financeiras em busca de crédito para diversas finalidades.

Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que o Brasil é o país com a maior taxa de juros do mundo. A taxa básica de juros (a SELIC) está em torno de 11 % a 12,5% ao ano enquanto outros países possuem taxas bem abaixo desse nível. Na atual crise que vive o mundo, os EUA fixou sua taxa de juros em 0,25% ao ano, o Japão em 0,1% ao ano, o Banco Central Europeu em 2% ao ano. No Brasil, alguns prevêem que essa taxa feche o ano de 2009 abaixo de 10%. Ou seja, mesmo em estimativas otimistas, ela ainda é considerada altíssima se comparada com outros países.

 

Analisando os dados…

 

 Analisando os dados do Banco Central, é possível perceber alguns pontos importantes que merece ser comentados aqui.

Quando se observa a relação completa, nota-se que mais de 50% das instituições financeiras cobram taxas de até 3,9% ao ano para créditos pessoais enquanto que para o cheque especial, a maioria das instituições cobra taxas superiores a 7% ao ano. Ou seja, mesmo que a taxa máxima para crédito pessoal seja superior à taxa máxima do cheque especial, a maioria praticam taxas menores nos créditos pessoais do que no cheque especial. Outro ponto importante a ressaltar é que a maioria das instituições que cobram taxas acima de 10% para o crédito pessoal são bancos de pequeno e médio porte e financeiras.

Isso mostra que as altas taxas de juros, na maioria das vezes, estão concentradas nas financeiras e nos bancos de pequena expressão no Brasil. Conclusão: na hora de procurar crédito, evite essas instituições. Vale lembrar que um bom relacionamento com o banco também ajuda a reduzir essa taxa no momento da contratação de um empréstimo, caso venha realmente precisar dele.

No que diz respeito às taxas para a aquisição de veículos, é evidente que elas se mostraram as menores dentre todas as modalidades apresentadas aqui. Uma das explicações está no fato de que, ao financiar um veículo, o comprador está dando uma garantia ao banco, ou seja, o próprio veículo. Esse fato ajuda a reduzir a taxa para aquisição desse tipo de bem. Em outras palavras, você estará dando o próprio veículo como garantia em caso de possível inadimplência.

Outro fator importante encontra-se em quem está financiando o veículo. Nessa relação, a maioria das instituições que cobram taxas de até 1,9% são bancos das próprias montadoras de veículos. Por isso cobram taxas menores, porque o financiamento será para a aquisição de automóveis da própria montadora. Se for “leasing”, essa taxa pode diminuir ainda mais. Isso acontece porque em “leasing”, o veículo fica em nome do banco e só é transferido ao comprador quando o valor total for devidamente pago.

 

 

Então…

 

O fato é que o mundo vive hoje uma escassez de dinheiro em decorrência da crise mundial. Quem possui recursos está mais cauteloso agora. Por isso, a oferta de crédito no país e no mundo está um pouco retraída e mais caro. É recomendado muito cuidado no controle financeiro das famílias em geral. Um financiamento agora pode comprometer todo um orçamento familiar se não for feito com planejamento e controle.

Se mesmo assim, for necessário recorrer ao crédito, muito cuidado. Evite as financeiras que cobram taxas de juros mais elevadas. Se o objetivo for a aquisição de um veículo, procure os bancos das próprias montadoras. Mesmo em outros bancos comerciais, evite contrair financiamentos por longos períodos e dê o máximo que você puder de entrada. Quando a pessoa dá uma entrada, o valor financiado diminui e, consequentemente, a taxa será incidida sobre um capital menor. Você pagará menos juros.

Com taxas de juros em alta, uma boa poupança direcionada para uma boa aplicação tende a ser uma ótima idéia, uma vez que os rendimentos das aplicações financeiras tendem a aumentar também na medida em que a taxa básica de juros aumenta.


Planejamento financeiro pessoal: isso pode mudar a sua vida

30,01,09

Começando a planejar o futuro

 

Por Enio Willian

 

 

Quantos de nós já paramos por um minuto sequer para planejar seriamente sobre o nosso futuro ? É bem verdade que alguns já se conscientizaram dessa importante tarefa e compreenderam os benefícios que um bom planejamento pode trazer. Mas, o que ainda se observa na maioria dos brasileiros, é exatamente o oposto. Muitos têm dificuldades de reservar uma hora de suas vidas para pensar e planejar de forma séria sobre o próprio futuro. A situação é ainda mais preocupante quando falamos em planejamento financeiro. O livre acesso aos meios de comunicação e a facilidade de acesso à informação tem despertado muitos para esse assunto tão importante, mas um grande número de jovens e adultos nunca fez nenhum tipo de planejamento financeiro e isso representa vários perigos.

Neste texto, não é objetivo principal ensinar detalhadamente os passos de um bom planejamento. Pretendo fazê-lo numa outra oportunidade. O objetivo principal neste momento é abordar, de forma introdutória, a importância de se começar a pensar sobre o assunto.

Maximiano, em seu livro “Introdução à Administração” define planejamento como sendo a técnica ou o processo que serve para lidar com o futuro. O futuro é incerto (já afirmava Oscar Wilde), mas quando nos planejamos, estamos traçando algumas ações e caminhos que farão com que o futuro esteja a nosso favor. É preciso entender um fator importante: o futuro é inevitável e chegará para todos, para homens, mulheres, para aqueles que planejam e também para aqueles que nunca fizeram nada. A grande diferença consiste de que maneira iremos enfrentá-lo.

Existem dois grandes motivos que levam as pessoas a não planejarem suas vidas, principalmente na área financeira: a falta de conhecimento e falta de interesse. No passado, é mais provável que nossos avós não se atentaram para esse ponto por falta de informação sobre o assunto. Com a inflação alta e os preços dos produtos que subiam todos os dias, era quase que impossível se planejar em cenários assim. Hoje, com o avanço da tecnologia e com o aumento do fluxo de informações, a causa mais provável para a falta de planejamento por parte das pessoas está mais relacionada com o desinteresse mesmo decorrente dessa falta de hábito, embora muitos alegam a falta de tempo como principal motivo. Esse argumento não é válido porque o tempo é o mesmo para todos e alguns planejam suas vidas e outros não. A questão é falta de hábito e orientação mesmo. A verdade é que não somos educados para isso, salvo raras exceções, é claro.

Entretanto, é sempre bom lembrar que o rumo que damos ao nosso futuro depende, na maioria das vezes, das nossas escolhas hoje.

 

 

Afinal de contas, o que um planejamento pode fazer por você ?

 

Muito se fala sobre planejamento, mas o que ele pode fazer de real para as nossas vidas ? Na verdade, ele pode e deve ser aplicado em todas as áreas (seja na vida profissional, pessoal ou financeira). Nosso foco aqui é aplicá-lo nas finanças.

Um bom plano financeiro pode reduzir o tempo para a conquista de um sonho. Isso acontece porque passamos a concentrar nossos esforços em ações precisas. Nossas ações passam a ser direcionadas, tendo sempre um alvo como principal foco. Outro ponto importante é que ele nos ajuda a prevenir contra imprevistos. O certo é que, quando planejamos, estamos intervindo no futuro, isto é, estamos mudando o rumo da nossa história.

Quantas pessoas conhecemos que trabalharam uma vida inteira, ganharam dinheiro e hoje enfrentam dificuldades financeiras ? Quantas pessoas passou a maior parte do tempo correndo atrás do dinheiro, mas hoje, ao se aposentar, passam necessidades básicas ? A história poderia ter sido diferente se, desde jovens, elas tivessem recebido orientações sobre planejamento financeiro. Mas, se não podemos voltar atrás e começar um novo começo, podemos começar agora e construir um novo fim.

Por isso, gosto muito de um pensamento de um grande consultor financeiro chamado “Gustavo Cerbasi” que afirma que “um bom planejamento pode fazer por você mais do que 30 ou 40 anos de trabalho”.

 

 

Algumas observações importantes

 

Um bom planejamento pode fazer muito por nós e, como já dissemos, pode mudar o destino de uma pessoa. Porém, é importante ter em mente algumas verdades:

 

1.          Um planejamento não impede que imprevistos aconteçam, mas ele nos ajuda amenizar os seus impactos sobre o orçamento doméstico e sobre as nossas vidas;

 

2.          Um plano, por si só, nada pode fazer por nós. É necessário que ele seja implementado, ou seja, colocado em prática. É necessário ter disciplina e não abandoná-lo no meio do caminho;

 

3.          Um planejamento pode sofrer algumas mudanças de acordo com os objetivos de cada pessoa e de acordo com as mudanças do ambiente interno e externo. Em outras palavras, ele deve ter foco, mas precisa ser flexível quando necessário.

 

 

É importante não esquecer que Deus sempre desejou uma vida próspera ao homem. É prazer dEle que tenhamos uma vida feliz e repleta das bênçãos que Ele tem para nos dar. Uma das principais bênçãos Ele já nos deu: a inteligência.

Tudo o que precisamos fazer é usá-la da melhor maneira possível para planejar melhor a nossa vida. Afinal de contas, Deus também se agrada disso.

Um forte abraço a todos e até o próximo artigo.

 

 

 

 

 


“Adeus ano velho, feliz ano novo (…). Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender” – Será ?

16,01,09

“Adeus ano velho, feliz ano novo (…). Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender” – Será ?

Por Enio Willian

 

 

Quantas vezes você já não ouviu essa música em passagens de ano ? Mas será que realmente você está entrando o ano de 2009 com mais dinheiro no bolso ?

Se a sua resposta for “sim”, meus parabéns. Você tem muitos motivos para comemorar. Resta apenas definir qual é a melhor forma de usar esse recurso. No entanto, se você entrou 2009 se nenhum centavo na conta bancária (e talvez até com dívidas), é sinal de que alguma coisa precisa ser feita da sua parte. Desejar prosperidade qualquer pessoa pode desejar, mas ela só virá na medida em que nos dispusermos a fazer algumas lições de casa. Que lições são essas ?

 

Em primeiro lugar, é preciso entender que, se quisermos entrar 2009 mais prósperos no ponto de vista financeiro (o mesmo vale para a saúde e outras áreas de nossas vidas), seria preciso que várias ações já tivessem sido realizadas por nós no decorrer do ano anterior. Se você não fez nada em 2008 para entrar este ano comemorando, nada mais poderá ser feito nos últimos segundos. Mas não se preocupe. Ainda há tempo de você começar a fazer algo agora para entrar em 2010 com sucesso. Se você acha que 365 dias é muito tempo para esperar, lembre-se de que o tempo irá correr do mesmo jeito, queira você ou não, quer você faça alguma coisa ou não. O tempo não volta mais. Então é melhor que já façamos alguma coisa. Muitas pessoas só vão entender isso no final da vida, mas infelizmente ela (a vida) não oferecerá outra chance.

O que passou, passou. No entanto, podemos começar hoje para garantir um futuro mais tranqüilo. Que tal tentar ?

 

A segunda lição está no fato de entender e praticar alguns conceitos muito simples. É tão simples que muitos o ignoram e não praticam e acabam sofrendo algumas conseqüências um tanto desagradáveis lá na frente. São elas:

·   Trabalhar;

·   Arrecadar dinheiro;

·   Gastar menos do que se ganha;

·   Poupar a diferença;

·   Investir o que poupou.

 

Essas regras não podem ser ignoradas. São “regras de ouro” para qualquer sucesso financeiro.

Muitos outros pontos precisam ser abordados e faremos isso no decorrer dos artigos que serão publicados aqui neste blog. Alguns inclusive já foram publicados aqui.

Os bons frutos você colherá em breve.

 

“Falar é fácil, o difícil é fazer”.

 

Concordo com você que poupar não é tão prazeroso quanto gastar. Afinal de contas, quem não gosta de comprar um monte de coisas e se sentir bem com isso ? No entanto, se você não quiser sofrer privações no futuro, é melhor já começar a pensar sobre essas questões. Não podemos gastar tudo aquilo que ganhamos, mesmo que você julgue que o dinheiro seja seu.

Muitas pessoas vivem uma vida tão apertada que não conseguem colocar tais regras em prática. Para essas pessoas, eu tenho uma mensagem. Não existe outro caminho para o sucesso financeiro senão este: “Reeducação financeira”. Ou seja, seus hábitos e comportamentos precisam mudar.

Ninguém aprende a escovar os dentes diariamente sem antes criar o hábito de escovar. Ninguém consegue acordar cedo todos os dias para ir a escola ou ao trabalho sem antes se habituar a fazer isso. Da mesma forma, poupar e investir devem ser um hábito normal entre as famílias brasileiras. Isso só é possível com uma reeducação financeira. Se seus hábitos e concepções sobre o dinheiro não mudarem, nada mais mudará.

No começo tudo é difícil e estranho, mas com o tempo, você verá que é capaz de fazer todas essas coisas e muito mais. Ninguém nasce sabendo poupar. Ninguém aprenderá a fazer isso da noite para o dia. A mudança vem com o decorrer do tempo. Dentro de alguns meses ou semanas, isso se tornará quase que automático. O certo é que, se você não usar o seu dinheiro com responsabilidade hoje, ele fugirá de você amanhã.

 

 

“Então eu não devo mais consumir ?”

 

Um dos grandes erros que muitos cometem é relacionar o hábito de poupar com o fato de passar fome. Isso não é verdade. O consumo é essencial para o nosso bem estar e para a nossa sobrevivência. A questão é diferenciar o consumo responsável com o consumismo exagerado que muitos têm vivido atualmente.

Consumismo pode ser traduzido naquelas compras que realizamos por impulso, de forma irracional, movido por propagandas e estratégias de marketing muitas vezes bem elaboradas. Na verdade, o consumismo é concretizado quando compramos algo que não precisamos e de forma constante. É quando a situação sai do controle. Ele pode trazer vícios como qualquer outra droga.

Consumo responsável é aquele em que o indivíduo realiza de forma racional, são as compras que trazem benefícios para nós no dia-a-dia e melhorarão nossa qualidade de vida.

A água é um bem necessário para a vida humana, mas se a população usá-la de forma irresponsável, ela acabará. Da mesma forma, o consumo é saudável e essencial, mas se ele sair do controle e prejudicar suas finanças, no futuro, sua situação financeira não proporcionará que você continue consumindo. O equilíbrio é a palavra-chave em qualquer situação.

 

A boa notícia é que…

 

A notícia boa é que poupar e investir não são tarefas somente para os ricos, aliás, os ricos ficaram ricos porque fizeram o dever de casa ou receberam alguma herança em tempos atrás. Se eles conseguem, você também conseguirá. Você precisa acreditar no seu potencial.

O segredo não é poupar grande quantidade de dinheiro uma única vez, mas poupar e investir pequenas quantidades de dinheiro sempre.

Seu futuro depende mais de uma atitude sua hoje do que de promessas que as vezes você mesmo faz para o ano que vem (que muitas vezes não são cumpridas).

Pense nisso.


O que esperar de 2009…

13,12,08

O que esperar de 2009…

Por Enio Willian

 

O que esperar para o ano seguinte ? Todos nós fazemos perguntas como essas nos finais de cada ano. Os especialistas traçam previsões para a economia, para a política, para o mercado financeiro, etc. Muitas pessoas simplesmente cruzam os braços e esperam que essas previsões aconteçam. Algumas se cumprem, outras não.

Na verdade, o futuro depende muito mais de nós do que de medidas do governo ou do crescimento da economia. As empresas projetam crescimento, aumento nas vendas, na participação de mercado, aumento nos lucros e tantas outras coisas. Para isso, elas tomam diversas ações: lançamento de novos produtos, maiores investimentos em propaganda e no patrimônio da marca, redução de custos. Ou seja, as organizações obtêm êxito nas conquistas dos sonhos porque planejam e seguem aquilo que planejaram.

E você ?

O que esperar para o ano que vem ? Quais são os seus desejos para que 2009 seja um sucesso em sua vida ? Digo mais. O que você pretende fazer para que 2009 seja ainda melhor que 2008 ? Você já reservou algumas horas na sua agenda para planejar o seu futuro ?

 

“O futuro é incerto”

 

Mas não é totalmente incerto para aqueles que fazem alguma coisa. Planejar também é intervir no futuro. O futuro sempre será melhor (ou terá menos surpresas desagradáveis) para aqueles que tomam decisões sábias. O que uma pessoa que nunca poupou nenhum centavo na vida pode esperar do seu futuro financeiro ? Para ela, o futuro é totalmente incerto e imprevisível, quando não, traiçoeiro. Afinal de contas, ela não fez nada para mudar o seu próprio futuro. Mesmo que a economia cresça, nada melhorará para essa pessoa.

O que esperar de 2009 ? Meu conselho para você: não espere nada de 2009 ! Ele não poderá fazer nada por você se você não decidir fazer alguma coisa. A pergunta deveria ser outra:

 

“O que 2009 pode esperar de mim ?”

 

A terra pode nos dar muitos frutos, mas precisamos fazer alguma coisa: plantar as sementes que queremos colher; Os bancos podem nos dar muito dinheiro em forma de juros, mas precisamos investir um pouquinho do nosso dinheiro lá para que isso aconteça.

O ano de 2009, como em qualquer outro ano, pode nos dar muitas coisas boas, mas precisamos também fazer alguma coisa. Isso só é possível através de um planejamento pessoal.

Este ano de 2008, com certeza, obtivemos muitas vitórias e derrotas, ganhamos e perdemos, erramos e também aprendemos muitas coisas.

Qualquer que seja o ano, sempre haverá crises e oportunidades. As crises vêm para todos nós, mas ela permanece na vida daqueles que não fazem absolutamente nada. Já as oportunidades, em alguns casos, não vêm. Elas precisam ser descobertas. Quem você acha que irá descobrí-las ?

Feliz ano novo e sucesso em tudo para você.


Alguns mitos em finanças pessoais

28,11,08

Desvendando alguns mitos dentro das finanças pessoais

 

Por: Enio Willian

 

Acredito que a grande maioria das pessoas já sabe que estamos enfrentando uma grande crise financeira de grandes proporções. Sempre que crises financeiras se apresentam diante de nós, torna-se comum alguns pensamentos do tipo “quando a situação do país melhorar vou começar a poupar dinheiro” ou “assim que a minha situação financeira melhorar vou começar a guardar dinheiro”. Na verdade são muitos os planos construídos pelas pessoas quando estas enfrentam momentos difíceis em suas finanças, muitas vezes pensados até com a melhor das intenções.

Mas, na verdade, muitos desses pensamentos e planos não passam de mitos e dificilmente se realizarão da maneira como eles foram elaborados. Aproveitando essa atual situação econômica em que o Brasil e o mundo vivem, selecionei alguns pensamentos errôneos que muitas pessoas pensam ser verdadeiros e procurei explicar os motivos pelos quais tais pensamentos são considerados mitos.

Selecionei apenas alguns mitos e equívocos cometidos por muitos, mas existem diversos outros pensamentos errôneos que devem ser esclarecidos às pessoas. Talvez sejam assuntos para outros artigos quem sabe.

O objetivo aqui não é destruir sonhos, mas pelo contrário, apresentar às pessoas algumas afirmações e os motivos pelos quais essas afirmações não dão certo.

Espero que este texto possa ajudar você a melhor refletir sobre seu futuro.

 

Vou esperar a situação econômica do Brasil melhorar para começar a poupar.

 

Quem espera a situação econômica do país ou do mundo melhorar para fazer alguma coisa nunca fará nada. Esse é um mito que muitos acreditam ser capaz de fazer. O problema é que esse momento nunca chegará. Vou explicar por quê.

Desde os tempos antigos, sempre houve dificuldades a serem enfrentadas. Momentos de crises sempre ocorreram durante o decorrer da história, sejam crises econômicas financeira, crises diplomáticas, etc. No período dos nossos avós, a situação já não era fácil. Nunca foi fácil para ninguém. Não podemos esperar o mundo melhorar para então fazermos alguma coisa. Não acredite que a situação vai melhorar agora ou no futuro. Não estou sendo pessimista, mas sim explicando que aqueles que acham que vão poupar apenas quando a situação do país melhorar, nunca fará nada. É uma realidade. Se quisermos mudar alguma coisa, temos que começar em nós mesmos. O futuro depende muito mais de nós do que de mudanças políticas ou econômicas. Infelizmente muitos não aceitam essa verdade e acabam frustrados. Muitas vezes traçamos planos maravilhosos e esperamos o momento ideal para realizá-los. Acontece que a nossa vida e o ambiente externo são muito dinâmicos. Sempre haverá algum tipo de impedimento ou empecilho (ou crises econômicas no país, no mundo) tentando nos impedir. Se quisermos fazer alguma coisa, temos que começar agora, já. Somos nós que temos que virar o rumo da nossa história.

 

Vou esperar receber aumento de salário para começar a poupar.

 

Esse é um outro grande engano que muitos ainda cometem. Se uma pessoa não tem o hábito de poupar e nunca desenvolveu isso antes, ela não fará isso apenas porque obteve um aumento no seu salário. A mudança deve começar dentro de cada um através de uma auto reflexão. É preciso ter uma reeducação financeira, isto é, mudança de atitudes com relação ao dinheiro e às finanças. Sem mudança de comportamento, nenhum aumento salarial será capaz de fazer uma pessoa poupar. Poupar vem do hábito e não do valor dos rendimentos da família ou do indivíduo. Geralmente, quando um trabalhador recebe um aumento no salário, ele acaba incorporando essa diferença nas despesas. Ao invés de poupar essa diferença ou parte dela, a maioria acaba aumentando seus gastos mensais. É claro que não são todos, mas são raras as exceções. A dica fundamental é começar a poupar agora, independente de quanto cada pessoa recebe. O segredo não é poupar uma grande quantidade de dinheiro de vez em quando, mesmo porque muitos não resistiriam à tentação. O segredo é poupar, ainda que pequenas quantidades, mas sempre. Se você obtém algum ganho (seja através do seu trabalho ou de mesada dos pais ou até mesmo da própria aposentadoria), a ordem é começar a poupar agora. Crie esse hábito aos poucos, no seu dia-a-dia. Comece poupando pequenas quantias e vai aumentado na medida em que isso for sendo possível, mas nunca pare de poupar. Faz bem para o bolso, para a mente e para o seu futuro.

 

Recebo R$ 500,00 e gasto R$ 500,00 por mês, logo está tudo certo.

 

Errado ! Um erro gravíssimo é gastar mais do que se ganha. É uma das primeiras regras da administração financeira. Outro erro tão grave quanto é gastar todo o salário. Não devemos fazer isso e também vou explicar o motivo.

Quando uma pessoa (ou família) gasta tudo aquilo que recebe, logo ela não terá dívidas, afinal de contas, ela não extrapolou o orçamento. Por outro lado, ela acabou com qualquer tipo de reserva financeira que ela poderia ter, entrando numa situação de alto risco. Quem vive assim, vive sem proteção nenhuma e qualquer mudança ou alteração no ambiente interno provocará um desequilíbrio no orçamento. Quem gasta tudo o que ganha está totalmente desprotegido contra eventuais situações de emergência ou fica impedido de aproveitar boas oportunidades. Imagine um copo cheio de água. Ele não está derramando, mas qualquer alteração no ambiente ou qualquer toque fará com que ele comece a derramar parte dessa água. É uma situação muito instável. Portanto, não podemos gastar tudo o que ganhamos, ainda que isso pareça algo inofensivo.

 

 

Vou esperar a minha situação melhorar para depois pensar em poupança e investimentos.

 

Já vou adiantando que, assim como nos dois primeiros casos, você não conseguirá poupar se decidir esperar sua situação financeira mudar. Aliás, sua situação pode mudar somente a partir do momento que decidir fazer alguma coisa. Nossa situação não mudará se nós mesmos não fizermos absolutamente nada. Em tempos de crises, poupar se torna quase que uma obrigação. Se nenhum tipo de poupança for feita agora, dificilmente será feita depois. Isso porque muitas pessoas não conseguem forças para fazê-lo no momento em que tudo estiver mais calmo e tranqüilo. Novos hábitos e comportamentos precisam ser construídos e isso leva meses ou anos.


Crises e oportunidades

25,10,08

Enxergue oportunidades nos momentos de crises

 

Por Enio Willian

 

Quando a economia vai bem, os setores produtivos crescem, o consumo aumenta e o dinheiro circula com mais fluidez no mercado. Mas, quando os países entram em crises, a situação que se vê mostra-se o contrário e nos apontam para um cenário quase que hostil. Afinal de contas, quem desejaria viver num ambiente que está enfrentando uma crise ? Acredito que pouquíssimas pessoas responderiam que sim. No entanto, existem algumas forças que não estão dentro do nosso controle na qual não podemos fazer quase nada. A atual crise financeira, que agora infuencia com maior intensidade o Brasil, teve seu início no mercado imobiliário dos EUA quando a maioria da população norte americana se viram impossibilitados de continuarem honrando suas mensalidades no pagamento das prestações de seus imóveis. Isso causou enormes prejuízos aos bancos que, financiaram esses imóveis acreditando no seu efetivo pagamento. Se uma pessoa não consegue pagar essa dívida, a outra parte não recebe e conseqüentemente também fica impossibilitado de honrar seus compromissos. O final desse efeito dominó culminou nos bancos que atuam como agentes financiadores da economia. Por isso, inúmeras instituições financeiras estão quebrando e outras entrando em enormes dificuldades financeiras. A crise financeira, então, já se instalou no mundo.

 

Por que ela afeta outros países como o Brasil ?

 

Hoje, as transações financeiras se evoluíram e alcançou dimensões continentais. O fluxo de dinheiro extrapolou as fronteiras dos países. São características da globalização. Empresas realizam negócios dentro e fora do país, fundos de pensão, bancos e governos compram ações e títulos de outras empresas estrangeiras e de governos de outros países. Essa interligação faz com que uma crise nos EUA, por exemplo, atinja a Europa, Ásia e até os países emergentes como o Brasil.

 

No caso brasileiro

 

A BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo) vem registrando fortes quedas nestes últimos meses em decorrência desse fenômeno. Por que será ? A razão é simples. Em regra geral, mais de 50% dos investidores pessoas físicas que investem na BOVESPA são estrangeiros. Apenas 486.706 investidores com aplicações na bolsa são brasileiros segundo dados coletados no site Dinheirama. A predominância ainda são de estrangeiros. Ou seja, quando ocorre alguma crise lá fora, os investidores que possuem aplicações no exterior retiram seus recursos para sanarem suas dívidas e, com isso, o dinheiro sai dos países e voltam para suas origens. Hoje, muitos cidadãos norte americanos que possuem recursos investidos na bolsa de valores de São Paulo estão retirando esse dinheiro daqui e de outros países para resolverem seus problemas dentro dos EUA. Por isso, as ações estão sendo vendidas e não existem compradores suficientes. Esta é uma das principais razões pelos quais a BOVESPA vem registrando quedas quase que sucessivas ultimamente. A evasão de dinheiro está sendo enorme.

Com a escassez de dinheiro na economia, ele se torna cada vez mais caro. Por isso, as taxas de juros também sobem seguindo o temor de uma possível recessão norte americana. Os bancos estão restringindo o crédito com medo de futuras inadimplências (assim como ocorreu nos EUA).

Em janeiro deste ano, a taxa SELIC estava em 11,25% ao ano. Em setembro, essa taxa já pulou para 13,5% segundo dados do Comitê de Política Monetária (COPOM) divulgados pelo site “Portal Brasil”.

 

 

Onde quero chegar com este artigo

 

Que a crise está atuando de forma evidente, todos já sabem, mesmo porque, os noticiários dos meios de comunicação informam isso diariamente. A grande questão é: o que podemos aproveitar disso tudo ? O que podemos aprender com isso ?

 

Enxergando oportunidades em meio à crise

 

Parece impossível enxergar oportunidades em meio às crises. Parece que tudo o que a maioria das pessoas fazem é correr para a mesma direção (o que chamamos de “efeito manada” quando muitos adotam a mesma postura diante de uma determinada situação.)

Mas, eu gostaria que você começasse a enxergar esses eventos com olhos analíticos e começasse a ver oportunidades onde a maioria vê problemas e ameaças.

 

1° lição:

A primeira lição que podemos tirar dessa crise mundial está voltado mais para uma reflexão e mudanças de conceitos e hábitos. Pessoas que comprometeram mais de 40% de suas rendas com prestações e empréstimos em anos anteriores acreditando que a estabilidade econômica do Brasil nunca iria ser abalada sofrem agora com os efeitos de uma crise que nem se iniciou aqui dentro. Hoje são caracterizadas como pessoas endividadas. É hora de rever os hábitos de consumo e adquirir um novo comportamento no que diz respeito à vida financeira. Algumas dicas básicas podem resumir essa explicação. Nunca comprometa mais que 30% da sua renda com dívidas ou prestações e não estenda-as por longos períodos. Pense bem antes de efetuar uma compra. Analise se essa aquisição é realmente necessária. Não se iluda com um salário relativamente alto. Se você acabou de ser promovido na empresa ou recebeu aumento de salário, não aumente seus gastos por conta disso. Nós não sabemos o que poderá ocorrer amanhã. Para isso, construa uma reserva de emergência antes de aumentar seu padrão de vida e pense sempre antes de sair por aí gastando seu dinheiro. Principalmente agora em que ele está se tornando mais caro com taxas de juros mais altas.

 

2° lição:

Enxergue oportunidades onde a maioria só consegue ver crises e mais crises. O segredo é poupar e investir. Aprenda uma coisa: em todo o tempo é hora é poupar, mas em tempos de crises, essa regra se torna fundamental. Está enfrentando crises na economia ? Poupe ao invés de consumir desenfreadamente. Vou explicar por quê. O Brasil possui a maior taxa de juros do mundo (talvez perca apenas para a Turquia). Isso é ruim para quem precisa tomar dinheiro emprestado. Mas essas taxas de juros são altas tanto para quem toma quanto para quem investe. Você já parou para pensar nisso ? Quem tomar dinheiro emprestado vai pagar caro por isso. Por outro lado, quem resolver poupar e investir no mercado financeiro irá ser bem remunerado por isso também. Quando a taxa básica de juros aumenta, há forte tendência de aumento também nas taxas de juros que remuneram algumas aplicações financeiras como a caderneta de poupança, os títulos do governo, os CDIs (Certificados de Depósitos Interbancários), os CDBs e os RDs e assim por diante.

No começo do ano, a poupança estava pagando 0,5% ao mês, em média, aos seus aplicadores. Hoje, ela está na casa de 0,7% ao mês aproximadamente. Ou seja, além de viver uma vida com mais qualidade, mudando seu comportamento e conceitos sobre consumo e dinheiro, você irá aproveitar as altas taxas de juros para fazer seu dinheiro render mais. Isso proporcionará a realização de vários sonhos futuros.

Para aqueles que estão dispostos a se arriscarem mais, eu ainda aconselho o mercado de capitais. A BOVESPA está caindo porque muitos investidores estão vendendo suas ações e saindo do mercado para cobrirem suas dívidas lá fora. Ou seja, essa é a hora de você entrar no mercado e adquirir essas ações por um preço bem abaixo do que aquilo que elas realmente valem. Dentro de um, dois ou três anos, o mercado provavelmente voltará ao normal e as ações subirão de preços novamente.

Talvez você não esteja enxergando muita lógica nisso tudo. Vou exemplificar. Se você fosse um comerciante, você compraria um produto por um preço menor ou maior do que aquele que você usaria para revender ? Tenho certeza que você compraria uma mercadoria por um preço muito abaixo e venderia por um valor maior. Certo ? No mercado de ações é a mesma coisa. Os investidores compram uma ação por um preço e vendem por outro maior. Mas, muitos ainda não compreenderam isso. Eles acabam entrando na alta e saindo na baixa desesperados com as crises. Quem investe em ações na crise e vende quando a bolsa está em alta, alcançam resultados (ou seja, lucros) surpreendentes. Mas, cuidado ! Se você não está disposto a correr riscos e não quer esperar 2 ou 3 anos para vender essas ações com lucro, então o mercado de ações não é o seu lugar. Nesse caso, fique com as opções mais conservadoras tais como a caderneta de poupança e os investimentos em renda fixa.

 

Enfim, quero chegar ao final de mais este texto concluindo e deixando a seguinte afirmação para você pensar, refletir e tomar suas decisões:

 

“Comece a enxergar oportunidades em momentos de crises”.


Mercados Financeiros

30,09,08

Entendendo um pouco de Mercados Financeiros

 

 

Por:  Enio Willian e Huang Kuan Ya*

 

 

Para entender os mercados financeiros, é necessário saber que ambos tem como objetivo servir de intermediação entre poupadores e tomadores de recursos. Ou seja, de um lado existe pessoas e empresas com sobras de dinheiro e, de outro, pessoas e empresas com necessidades de recursos. Nesse ponto, entra o mercado financeiro. Essa intermediação se dá de forma segmentada com base em 4 subdivisões:

 

Mercado Monetário

 

O mercado monetário visa controlar a liquidez monetária. Os títulos negociados são os papéis emitidos pelo Banco Central (BACEN) tais como o Bônus do Banco Central e pelo Tesouro Nacional como por exemplo as Letras do Tesouro Nacional (LTN), as Notas do Tesouro Nacional (NTN), além de outros títulos emitidos por municípios e estados e possuem a taxa de juros como referência. Os CDIs (Certificados de Depósitos Interfinanceiros), os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e as debêntures também completam essa lista de títulos negociados nesse mercado.

Por serem títulos escriturais, ou seja, não são emitidos fisicamente, existem dois sistemas que controlam essas negociações: a SELIC e o CETIP.

O SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) opera os títulos cujos emissores são o Banco Central e do Tesouro Nacional. As operações de compra e venda desses papéis públicos são controlados e liquidados financeiramente por um grande computador.

O CETIP (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados) opera abrigando os títulos privados como os CDBs, RDBs, CDIs, dentre outros, inclusive alguns títulos públicos em poder do setor privado.

Os títulos públicos negociados nesse mercado são:

 

·         LTN – Letras do Tesouro Nacional: emitidos com um prazo mínimo de 28 dias;

 

·         LFT – Letras Financeiras do Tesouro: seus rendimentos são definidos pela média da taxa selic;

 

·         NTN – Notas do Tesouro Nacional: oferecem rendimentos pós fixados e atrelados a um indexador da economia. Isto significa que, nesse título, o investidor só saberá quanto irá ganhar depois de vencido o prazo e esse rendimento tende a acompanhar algum índice como a taxa de juros ou a inflação ou o câmbio. Os juros são pagos periodicamente e o prazo mínimo de emissão é de três meses;

 

·         BBC – Bônus do Banco Central: são títulos de curto prazo (entre 28 – 35 e 49 dias) e é pré fixado. Nesse caso, o investidor saberá antes o quanto irá ganhar pela aplicação. Esse papel é utilizado nos leilões públicos do BACEN;

 

·         LBC – Letras do Banco Central: sua remuneração é definida pela taxa selic média diária e são muito atrativas;

 

·         NBC – Notas do Banco Central: oferecem rendimentos postecipados e indexados a um indexador da economia (exemplo: taxa selic, inflação, câmbio). Seu prazo mínimo de emissão é de 3 meses e seus juros pagos periodicamente.

 

Existem momentos em que o volume de dinheiro em circulação na economia são relativamente alto e isso pode causar inflação. Para reduzir essa oferta monetária, o BACEN vende títulos de sua emissão fazendo com que parte desse volume sejam retirados da economia. Para expandir essa oferta, ele começa a comprar esses títulos. Na verdade, esses títulos servem para controlar essa oferta de dinheiro em circulação. O BACEN abre leilão para vender tais títulos junto às instituições financeiras. Os bancos, ao comprarem, revende ao público em geral pagando um retorno inferior, é claro. Essa diferença de taxas é chamada de “spread” bancário.

Os bancos comerciais possuem uma importante atuação no mercado monetário, uma vez que eles possuem o poder de criação de moeda. Ao receberem dinheiro por meio de depósitos dos clientes e através de lançamento de títulos de sua emissão, eles podem emprestá-los à população com cobrança de juros. Esses empréstimos, por sua vez, retornam aos bancos que voltam a emprestá-los novamente criando um efeito multiplicador. Para controlar esse efeito, o BACEN estabeleceu o chamado “depósito compulsório”, onde uma parcela dos recursos movimentados peãs instituições financeiras devem ir para o Banco Central. Diariamente essas instituições são obrigadas a fecharem suas contas de débito e crédito. Havendo diferenças (sobras ou falta de dinheiro para fecharem suas contas), um banco pode emprestar para outro que precisa de recursos com o objetivo de fechar suas contas. Esse empréstimo que se dá entre os bancos é chamado de CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro) e suas taxas costumam ser mais altas do que as oferecidas pelos títulos públicos. Quando essa operação não é possível entre bancos, eles recorrem ao Banco Central, que por sua vez, cobra uma taxa de juros ainda maior. A essa operação de “ajuda” do BACEN damos o nome de “redesconto de liquidez”.

Ainda dentro do mercado monetário são negociados os títulos de dívida externa, que são papéis emitidos pelos países em razão de renegociações de dívidas com credores. Os precatórios também são negociados nesse mercado e é um documento originado de uma ordem judicial que obriga o devedor (considerado culpado0 a pagar o credor.

Em qualquer operação, as taxas de juros fazem parte das negociações do mercado financeiro e existem várias dela.

 

 

Tipos de taxas de juros existentes no mercado financeiro:

 

·         TR – Taxa Referencial: é formada com base na remuneração média mensal das taxas pré fixadas dos CDBs e RDBs dos 30 maiores bancos;

 

·         TBF – Taxa Básica Financeira: são maiores que a TR pois não tem um redutor que é usado na TR e procura fazer com que o aplicador deixe seus recursos aplicados por, no mínimo, dois meses.

 

·         TBC e TBAN: ambas são taxas do Banco Central de caráter mensal. A primeira referencia o nível mínimo dos juros nas operações de mercado aberto e a segunda o nível máximo;

 

·         TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo: são taxas de juros aplicadas justamente para operações de longo prazo.

 

 

 

Mercado de Crédito

 

Esse mercado tem por objetivo essencial suprir as necessidades de caixa de pessoas e empresas de curto e médio prazo. Para isso, os agentes econômico (ou seja, os bancos) concedem créditos e financiamentos para pessoas físicas e jurídicas. Essas operações se dão por meio do crédito direto ao consumidor (CDC), operações de vendor, repasses de recursos externos, assunção de dívidas e adiantamento de contrato de câmbio (ACC). Cada uma dessas operações são destinadas a um público específico. Mais importante do que saber as características de cada um deles é saber que eles existem. Além dessas operações, os bancos também prestam diversos serviços a seus clientes tais como caixas eletrônicos para saques e consultas, emissão de cartões de créditos dentre outros.

 

 

Mercado de Capitais

 

O mercado de capitais existe para servir de ponte entre os poupadores e os tomadores de recursos. Várias operações são efetuadas nesse mercado.

·         Financiamento de Capital de Giro: destinado às empresas com deficiência de recursos de curto prazo. Para as empresas de capital aberto, uma opção atraente para suprir essa necessidade é a emissão de “commercial paper” que são títulos emitidos por elas para o mesmo fim (suprir suas necessidades de capital de giro);

 

·         Operações de Repasses: os bancos pegam empréstimos de fundos governamentais e repassam para as empresas que precisam de dinheiro. Um exemplo clássico desse tipo de operação é o caso do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), onde instituições financeiras repassam esses recursos para as empresas que precisam;

 

·         Arrendamento Mercantil: é uma operação onde uma empresa arrendadora cede um bem a um cliente e este paga um aluguel pelo seu uso por um tempo determinado. Ao final do contrato, o cliente pode prorrogar o prazo, devolver o bem ou comprá-lo. Essa operação também é chamado de “leasing financeiro”;

 

·         Oferta Pública de Ações e Debêntures: são as novas ações e debêntures que as empresas de sociedades anônimas lançam no mercado com o objetivo de captar mais recursos;

 

·         Securitização de recebíveis: a empresa tomadora de recursos negocia sua carteira de recebíveis (são as contas que ela tem a receber) com empresas criadas especialmente para isso que, por sua vez, levanta esses recursos no mercado para essa compra;

 

·         Mercado de “Bonds”: “Bonds” são títulos em inglês. São papéis de empresas estrangeiras que negociam seus títulos no mercado internacional. Dentro disso, existem empresas que avaliam os riscos do crédito da dívida de uma empresa a partir das informações contidas nos demonstrativos financeiros publicados;

 

·         “Warrants” e Títulos Conversíveis: é um título que concede ao seu titular o direito de adquirir outros títulos de emissão da própria empresa, constituindo-se numa alternativa adicional de financiamento que são geralmente convertidos em ações ou em títulos de dívidas. Os títulos conversíveis, por sua vez, podem conceder ao seu titular o direito de trocar o ativo possuído por outro (também como outra fonte de financiamento);

 

·         “Forfaiting”: o mercado de forfaiting é coordenado por instituições financeiras especializadas, onde concentra as negociações com título de crédito e contratos representativos de exportações realizadas por empresas brasileiras;

 

·         Caderneta de Poupança: essa é a mais conhecida do povo brasileiro. É uma alternativa de aplicação financeira bastante conservadora, segura e de baixa remuneração. Há isenção de imposto de renda para o aplicador;

 

·         Mercado Cambial:é onde ocorre operações de compra e venda de moedas estrangeiras. Os agentes são os operadores do comércio internacional, instituições financeiras, investidores e bancos centrais. Suas operações processam-se por meio de operadoras que são as corretoras de valores;

 

·         Taxas Internacionais de Juros: as operações de financiamento no exterior são realizadas por meio de taxas internacionais de juros. A LIBOR equivale à taxa de juros interbancárias do mercado de Londres. Possui prazos de até dois anos. “Prime Rate” é a taxa de juros cobradas pelos bancos americanos de seus clientes de baixo risco, referente à operações de empréstimos envolvendo bancos e empresas;

 

·         Moeda Européia Única _ EURO: entrou em vigor a partir de 1999 e foi oficialmente adotado como moeda comum da Europa, exigindo de seus países membros rigorosos ajustes de políticas econômicas, de maneira a fortalecer suas economias e promover o crescimento. A adoção de uma moeda européia única é justificada principalmente:

 

a)  Pelo apoio e facilidade que dará às relações comerciais e financeiras dentro do próprio continente europeu;

 

b)  Pela redução de custos originada da extinção de despesas com pagamentos de comissões cambiais;

 

c)  Por permitir maior compatibilidade entre os preços das diversas economias;

 

d)  Pela ampliação da força política e econômica da Europa no mundo;

 

e)  Pela maior integração européia, visto que todas as decisões econômicas, a partir da unificação monetária, terão de ser tomadas em conjunto.

 

 

 

*Huang Kuan Ya

É graduanda em Administração de empresas

 pela Universidade de Ribeirão Preto.


Uma aula introdutória sobre ações de empresas

25,09,08

Entendendo um pouco de ações e do mercado de capitais

 

 

Por Enio Willian

 

 

Para você que sempre quis aprender um pouco sobre ações de empresas negociadas na Bolsa de Valores, este artigo traz para você uma aula introdutória sobre o tema com uma linguagem simples e de fácil entendimento. Aproveite ao máximo.

 

AÇÕES

 

As ações nada mais são do que títulos mobiliários que representa a menor fração do capital social de uma empresa. Qualquer empresa ou companhia pode emitir ações, desde que, para isso, ela abra o seu capital, tornando-se uma companhia de capital aberto. O objetivo principal que leva as empresas a abrirem seu capital e emitirem ações é a captação de recursos para financiarem seus processos produtivos e novos investimentos. Por sua vez, o objetivo principal que leva os investidores a adquirirem essas ações (ou títulos) é o retorno que elas oferecem. Investidores são todas as pessoas que compram ações. Ao comprá-las, eles podem obter retornos através da participação dos lucros dessas empresas (chamadas de “dividendos”) ou por meio da valorização de seus papéis no mercado (chamados também de “ganho de capital”). Ou seja, as empresas ao apurarem seus resultados, no mínimo 25% de seus lucros devem ser distribuídos em forma de dividendos. Cada acionista recebe um valor proporcional ao número de ações adquiridas. Acionistas são os sócios das empresas e cada pessoa que possui ações são também sócias dessas companhias.

As ações são negociadas no mercado de capitais representado pelas bolsas de valores que é o local onde se negocia ações. No Brasil, temos a BOVESPA – Bolsa de Valores de São Paulo.

As ações possuem alta liquidez e não tem prazo definido para o seu resgate. Ou seja, uma vez comprada, ela pode ser facilmente convertidas em dinheiro e em qualquer tempo. O investidor pode ficar com as ações pelo tempo que quiser. No entanto, não há garantias de retorno, uma vez que as empresas podem apresentar prejuízos ao invés de lucros ou seu preço pode cair ao invés de se valorizar. Por isso, as ações são consideradas investimentos de risco (são investimentos de renda variada).

As ações são divididas em “ordinárias” e “preferenciais”. As ações ordinárias são aquelas em que dão aos seus proprietários o direito à voto em assembléia e podem eleger diretores e, dependendo do número de ações, eleger presidentes e decidir sobre os rumos da empresa. As ações preferenciais não dão direito à voto, mas tem preferência na distribuição de dividendos. Caso as companhias não distribuam seus lucros por três exercícios sociais seguidos, essas ações passam a ter direito à voto em assembléias. Os percentuais dos dividendos pagos às ações preferenciais costumam ser maiores do que às pagas para as ordinárias. A lei das sociedades por ações ainda prevê a emissão de ações de “gozo” ou “fruição” e de “partes beneficiárias”. A primeira interessa mais aos sócios fundadores da empresa e pode prever certa participação nos lucros e a segunda é mais indicada para as pessoas que tiveram alguma participação importante na empresa. Funciona como se fosse uma retribuição pelos serviços que determinada pessoa prestou.

As ações, como todo investimento em títulos, são avaliados em três aspectos: retorno, liquidez e risco.

 

Retorno:

 

O retorno é a remuneração (ou prêmio) esperada pelo investimento e expresso em taxa percentual. Por exemplo, os ganhos (ou retorno) com ações são maiores do que os ganhos obtidos com a caderneta de poupança.

 

Liquidez:

 

Liquidez é a facilidade com que um título pode ser transformado em dinheiro. As ações, por exemplo, são mais líquidas do que investimentos em imóveis.

 

Risco:

 

O risco é medido como sendo a chance do investidor não receber o prêmio de um investimento ou parte dele. Investimentos em ações possuem altos riscos, mas tem retornos altos no longo prazo.

 

Atualmente, mais de 400 empresas possuem ações negociadas na BOVESPA e pode ser compradas por qualquer cidadão brasileiro. Esses papéis recebem diferentes classificações dentro do mercado de capitais.

 

Ações de 1° linha ou “blue chips”:

 

São as ações ditas como de excelente reputação no mercado, possuem alta qualidade e respeitadas pela sua tradição e boa gestão.

 

Ações de 2° linha:

 

Essas ações englobam empresas de médio e grande porte, mas com bons desempenhos. Seus títulos são menos líquidos se comparados com as de primeira linha, ou seja, demora um pouco mais para ser convertidas em dinheiro. No entanto, são ações de boa qualidade.

 

Ações de 3° linha:

 

As ações de terceira linha são menos líquidas ainda e possuem baixa qualidade. Compõem essa classificação as empresas, em geral, de pequeno porte.

 

É interessante observar que as ações de 2° e 3° linhas possuem riscos mais elevados, mas podem prometer maiores retornos aos seus investidores.

 

Quem investe em ações deve esperar retornos de longo prazo, já que é considerado um investimento de alto risco principalmente em períodos inferiores a um ou dois anos. É recomendado visar horizontes de médio e longo prazo e diversificar sempre os investimentos. Assim, se um papel se desvalorizar, outros poderão se valorizar ou até mesmo compensar essa perda. Não se deve usar recursos da alimentação ou de despesas correntes para colocá-los em ações. Use aquele dinheiro que não será usado dentro de 5 anos no mínimo.

 

As ações por sua vez, possuem diversos valores. O valor “nominal” refere-se ao valor de emissão dessas ações que são emitidas pelas companhias. O valor “patrimonial” equivale à divisão do valor do patrimônio líquido apurado pela contabilidade pelo número de ações existentes. O valor “intrínseco” mostra o valor máximo que um investidor pagaria por uma ação com o objetivo de ter alguma expectativa de ganho. O valor “de mercado” aponta o valor das ações que estão sendo negociadas no mercado. Existem também outros tipos de valores como valor de “liquidação” que mostra o valor do papel em caso de liquidação da companhia e o valor de “subscrição” que é o valor fixado pela empresa ao emitir novas ações visando promover o aumento de seu capital.

Quando empresas de um país decide negociar ações em outros países, são emitidos certificados representativos desses ativos que são chamados de “Depositary Receipts”. Em linhas gerais, se um investidor quiser comprar ações de empresas estrangeiras, ele pode fazê-lo através de um “Depositary Receipts” em seu próprio país.

 

Rendimentos:

 

Os rendimentos em ações se dão através de várias formas.

Os dividendos são parte dos lucros das empresas pagos em dinheiro aos acionistas. Os juros sobre capital prórpio são os lucros que a empresa não distribuiu e aplicou em outras aplicações financeiras. Esses juros são distribuídos aos acionistas e sua principal vantagem é que essa operação pode ser lançada como despesa na contabilidade da empresa e é deduzido no imposto de renda da organização. As bonificações são apenas registros contábeis que aumenta o capital da empresa e, conseqüentemente, suas ações (que possuem valores nominais).