Banco Central divulga taxas de juros praticadas pelas instituições financeiras. O que isso tem a ver com você ?

 

Por Enio Willian

 

 

O Banco Central (o BACEN) divulgou nesta semana a relação das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras atuantes no país no período entre 20 a 26 de janeiro de 2009. Nessa relação, é possível conseguir muitos dados tais como as taxas de juros para a aquisição de bens, de veículos ou concessão de créditos, para pessoas físicas e jurídicas, dentre outros.

Analisando as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas, podemos comentar algo a respeito, uma vez que isso afeta diretamente aos cidadãos que recorrem aos bancos e às financeiras em busca de crédito para diversas finalidades.

Antes de qualquer coisa, é preciso lembrar que o Brasil é o país com a maior taxa de juros do mundo. A taxa básica de juros (a SELIC) está em torno de 11 % a 12,5% ao ano enquanto outros países possuem taxas bem abaixo desse nível. Na atual crise que vive o mundo, os EUA fixou sua taxa de juros em 0,25% ao ano, o Japão em 0,1% ao ano, o Banco Central Europeu em 2% ao ano. No Brasil, alguns prevêem que essa taxa feche o ano de 2009 abaixo de 10%. Ou seja, mesmo em estimativas otimistas, ela ainda é considerada altíssima se comparada com outros países.

 

Analisando os dados…

 

 Analisando os dados do Banco Central, é possível perceber alguns pontos importantes que merece ser comentados aqui.

Quando se observa a relação completa, nota-se que mais de 50% das instituições financeiras cobram taxas de até 3,9% ao ano para créditos pessoais enquanto que para o cheque especial, a maioria das instituições cobra taxas superiores a 7% ao ano. Ou seja, mesmo que a taxa máxima para crédito pessoal seja superior à taxa máxima do cheque especial, a maioria praticam taxas menores nos créditos pessoais do que no cheque especial. Outro ponto importante a ressaltar é que a maioria das instituições que cobram taxas acima de 10% para o crédito pessoal são bancos de pequeno e médio porte e financeiras.

Isso mostra que as altas taxas de juros, na maioria das vezes, estão concentradas nas financeiras e nos bancos de pequena expressão no Brasil. Conclusão: na hora de procurar crédito, evite essas instituições. Vale lembrar que um bom relacionamento com o banco também ajuda a reduzir essa taxa no momento da contratação de um empréstimo, caso venha realmente precisar dele.

No que diz respeito às taxas para a aquisição de veículos, é evidente que elas se mostraram as menores dentre todas as modalidades apresentadas aqui. Uma das explicações está no fato de que, ao financiar um veículo, o comprador está dando uma garantia ao banco, ou seja, o próprio veículo. Esse fato ajuda a reduzir a taxa para aquisição desse tipo de bem. Em outras palavras, você estará dando o próprio veículo como garantia em caso de possível inadimplência.

Outro fator importante encontra-se em quem está financiando o veículo. Nessa relação, a maioria das instituições que cobram taxas de até 1,9% são bancos das próprias montadoras de veículos. Por isso cobram taxas menores, porque o financiamento será para a aquisição de automóveis da própria montadora. Se for “leasing”, essa taxa pode diminuir ainda mais. Isso acontece porque em “leasing”, o veículo fica em nome do banco e só é transferido ao comprador quando o valor total for devidamente pago.

 

 

Então…

 

O fato é que o mundo vive hoje uma escassez de dinheiro em decorrência da crise mundial. Quem possui recursos está mais cauteloso agora. Por isso, a oferta de crédito no país e no mundo está um pouco retraída e mais caro. É recomendado muito cuidado no controle financeiro das famílias em geral. Um financiamento agora pode comprometer todo um orçamento familiar se não for feito com planejamento e controle.

Se mesmo assim, for necessário recorrer ao crédito, muito cuidado. Evite as financeiras que cobram taxas de juros mais elevadas. Se o objetivo for a aquisição de um veículo, procure os bancos das próprias montadoras. Mesmo em outros bancos comerciais, evite contrair financiamentos por longos períodos e dê o máximo que você puder de entrada. Quando a pessoa dá uma entrada, o valor financiado diminui e, consequentemente, a taxa será incidida sobre um capital menor. Você pagará menos juros.

Com taxas de juros em alta, uma boa poupança direcionada para uma boa aplicação tende a ser uma ótima idéia, uma vez que os rendimentos das aplicações financeiras tendem a aumentar também na medida em que a taxa básica de juros aumenta.

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